Ano deverá ser recorde em fusões e aquisições

 

 

    Os investimentos passam ilesos dos arranhões da política e a economia vai bem, obrigado. Com crescimento de 38% no primeiro semestre, o número de fusões e aquisições em 2005 deverá ser o maior da história brasileira. É o que prevê a consultoria KPMG ao levantar as transações mais recentes no mundo dos negócios. Enquanto planalto e planície ferveram em Brasília, as fusões e aquisições cresceram 43% entre abril e junho. “Tudo indica que este vai ser o ano com o maior número de fusões e aquisições, se nenhum fato negativo acontecer. Por enquanto (a crise política) é pontual e não estrutural”, afirma André Castello Branco, sócio de Corporate Finance da KPMG.

 

    Foram contabilizados no primeiro semestre 170 transações, das quais 93 seladas no Segundo trimestre. “O número mostra que os investidores estão acreditando no País”, diz. O primeiro semestre de 2004 apresentou 123 fusões, enquanto 108 e 104 aquisições foram registradas no mesmo período de 2003 e 2002, respectivamente. As empresas de capital nacional responderam por quase metade das aquisições dos últimos três meses. Os destaques tratam da compra da Polibrasil pela Suzano e da Termoceará pela Petrobras. Já as transações que envolvem pelo menos uma das partes com capital estrangeiro são mais de 57% do total do primeiro trimestre.

 

    É o caso do aumento da participação acionária do Cassino na rede Pão de Açúcar. Mas, foram as empresas de tecnologia da informação que mais atraíram aquisições no primeiro semestre deste ano. A KPMG contabilizou 21 negócios, com destaque, por exemplo, para a compra do e-Capture pelo Unibanco. A compra da produtora de sucos Tial pela Pif Paf, especializada em congelados e carnes, é um exemplo do setor de alimentos e bebidas. A atividade é a segunda no ranking de fusões e aquisições, com 18 transações. A tradicional marca Açúcar União também entrou no rol de adquiridas.

 

    As instituições financeiras figuram no terceiro lugar em fusões e aquisições, com 13 operações. Entre os exemplos, a compra da carteira do banco Morada pelo Bradesco, bem como a aquisição da Diben. A parceria entre Itaú e a Lojas Americanas na área de varejo também foi considerada pela KPMG no levantamento.

 

    O setor de telecomunicações apresentou doze aquisições, entre elas a compra da Net Serviços e também pela Telmex da aquisição da Multicabo pela Tele Cidade. Com onze casos de fusões, o segmento de química e petroquímica também está na lista dos que mais compraram ou foram vendidos. Indústria farmacêutica, metalurgia, energia e seguros completam o ranking da elaborado pela KPMG.

 

Gazeta Mercantil - 29/06/2005

 

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